Primeiro estudo clínico comparando ultraprocessados/ First human trial comparing Ultra-processed food

(ENGLISH VERSION BELOW)

O número de casos de obesidade e sobrepeso cresceu em paralelo a industrialização dos alimentos. Esta simples associação parece ser suficiente para considerar os alimentos processados como a raiz de todos os problemas relacionados ao sobrepeso. Se este fosse o único problemA, a solução seria simples e obvia você não acha?

Muitos estudos observacionais estão sendo publicados associando alimentos processados ao sobrepeso, mas o primeiro estudo clínico com humanos só foi publicado em 2019. Neste estudo publicado por Hall et al., os participantes foram incluídos em uma dieta de ultraprocessados e minimamente processados por 14 dias 1. Os autores observaram que ao final do estudos os participantes seguindo uma dieta de ultraprocessados comeram mais e ganharam peso, como você pode ver no gráfico abaixo extraído da publicação.

Figura 1: gráfico extraído de Hall et al. Consumo de alimentos em Kcal/dia e mudança no peso corpóreo em Kg

Mas algo intrigante nesta pesquisa não foi amplamente explorado. O eating rate de ambas as dietas eram significantemente diferentes:


Você sabe o que é Eating Rate?

É comprovado na literatura que vários aspectos relacionados a propriedade dos alimentos influenciam a quantidade de alimento que é ingerida:

  • Sabor
  • Odor
  • Visual
  • Textura
  • Densidade energética
  • Tamanho da porção
  • Eating rate

O eating rate é a quantidade de comida que as pessoas podem comer por minuto (ER = g / min) e tem um papel importante na saciedade. Alimentos que são ingeridos rapidamente (rápido eating rate) apresentam baixa eficiência de saciedade. Uma menor atividade de mastigação e um grande tamanho de mordida resultam em um menor tempo de exposição oral, retardando a saciedade, o que aumenta a ingestão de alimentos. A saciedade é, portanto, influenciada pelo eating rate e pelo tempo de exposição oral. Um estudo descobriu que um eating rate mais lento com uma exposição oral mais longa pode reduzir de 10% até 14% da ingestão de alimentos 2. Outros estudos relataram uma diminuição ainda maior, de 12% -34%, na ingestão de alimentos ao modificar o eating rate 3.

Aplicando este conhecimento ao estudo então publicado por Hall et al., percebemos que há uma grande diferença no eating rate das dietas, sendo que o eating rate dos alimentos ultraprocessados foi muito mais rápido, com uma ingestão de 40g/minuto. Os participantes ingeriram os alimentos ultraprocessados mais rápido o que possivelmente retardou a saciedade e fez com que os participantes comessem mais.

A velocidade com que um alimento é ingerido está relacionado a sua textura e pode ser que os alimentos selecionados para a dieta ultraprocessada neste estudo tinham uma textura mais macia, mas ISTO É UMA CARACTERÍSTICA EXCLUSIVA DE ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS?

A resposta é não!

Um estudo publicado por Forde et al. comparando o eating rate de alimentos minimamente processados, processado e ultraprocessados revelou que entre essas categorias o eating rate foi bem heterogêneo e alimentos minimamente processados, ou classicamente chamados de “Naturais”, apresentaram algumas vezes um eating rate ainda mais rápido do que alimentos ultraprocessados 4.

Conclusão:

O efeito dos ultraprocessados observados por Hall et al., possivelmente foram confundidos pela clara diferença no eating rate já que a literatura mostra que uma vez que os alimentos tenham o mesmo eating rate, nenhuma diferença na ingestão de alimentos é observada.

É importante destacar que de todas as características de um alimento que podem aumentar a quantidade de ingestão, nenhuma destas são exclusivas de ultraprocessados pois, se compararmos um pudim feito em casa com um cereal ultraprocessado, eu tenho certeza que os participantes destacariam o pudim como mais gostoso, mais saboroso, mais atrativo e com uma densidade energética maior e um eating rate muito mais rápido.

ENGLISH VERSION……………………………………………………………………………..

The obesity pandemic rises parallel to food industrialization. This simple association seemed to be enough to consider processed foods as the root of all problems. If it was the problem, the solution would be obvious and simple don’t you agree?

Many observational studies have been published associating processed foods with overweight, but the first randomized control trial was just published in 2019. In this human trial published by Hall et al., participants went on an ultra-processed diet or unprocessed diet for 14 days 1. It was observed that participants under the ultra-processed diets had a food over intake and gained weight, as you can see on the graph extract from this research below.

Figure 1: Graph extract from Hall et al., showing the ad libitum intake in Kcal/day and the body weight change in Kg.

But there was something very interesting in this study, the eating rate of both diets was extremelly different:


Do you know what eating rate means?

It’s proven by the literature that several aspects related to the food properties that impact the amount people eat as:

  • Taste
  • Energy density
  • Texture
  • Portion size
  • Smell
  • Visual
  • Eating rate

Eating rate is the amount of food people can eat per minute (ER=g/min) and this has an important role on satiation. Foods that can be ingested quickly (fast eating rate) have a low satiation efficiency. Similarly, a lower chewing activity and a large bite size, results in a shorter oral sensory exposure time (OSE) delaying satiation which increases food intake. Satiation is therefore influenced by the ER and by the OSE. A study found that a slow eating rate with longer OSE can reduce 10% up to 14% of food intake 2. Other studies reported even greater decrease, of 12%-34%, on food intake when modifying the eating rate 3.

Back to Hall et al. study, it was shown an enormous difference in eating rate for both diets and as it’s clear from the graph, the ultra-processed diet had an average eating rate of almost 40g/min which means that participants ate it faster at the end, leading to higher food consumption.

It might be that the velocity of intake was due to a softer texture but IS IT A CHARACTERISTIC OF ULTRA-PROCESSED FOODS?

The answer is NO!

In a study published by Forde et al. measuring processed and unprocessed food eating rate, there was a heterogeneous eating rate in all categories including eating rate even higher of unprocessed foods sometimes 4.

Conclusion

This observed effect at Hall et.al research might have been confounded by the eating rate. This shows how important it is to have equal foods eating rate when comparing food intake of different diets.

I also would like to reinforce that from all the aspects that make people eat more, you can clearly observe that those are not exclusive characteristic of ultra-processed since when comparing a homemade pudim with an ultra-processed cereal I’m pretty sure it will be much more palatable, with a higher eating rate, energy density, better visual and smell as well.

Referência/ Source

1-Hall, K. D., Ayuketah, A., Brychta, R., Cai, H., Cassimatis, T., Chen, K. Y., … & Fletcher, L. A. (2019). Ultra-processed diets cause excess calorie intake and weight gain: an inpatient randomized controlled trial of ad libitum food intake. Cell metabolism, 30(1), 67-77.

2-Lasschuijt, M. P., Mars, M., Stieger, M., Miquel-Kergoat, S., De Graaf, C., & Smeets, P. A. M. (2017). Comparison of oro-sensory exposure duration and intensity manipulations on satiation. Physiology & behavior, 176, 76-83.

3- Bolhuis, D. P., & Forde, C. G. (2020). Application of food texture to moderate oral processing behaviors and energy intake. Trends in Food Science & Technology.

4-Forde, C. G., Mars, M., & De Graaf, K. (2020). Ultra-Processing or Oral Processing? A Role for Energy Density and Eating Rate in Moderating Energy Intake from Processed Foods. Current Developments in Nutrition, 4(3), 2019.

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